quarta-feira, 23 de março de 2011

TEXTO 1

 REPORTAGEM COM TEMÁTICA AFRO 

 

Defensoria Pública lança cartilha contra preconceito em SP

Ação acontece na semana do Dia da Consciência Negra.
Iniciativa quer aumentar número de denúncias contra crimes raciais.
A Defensoria Pública do estado de São Paulo começou a distribuir nesta semana uma cartilha para informar a população sobre como se defender em casos de discriminação, racismo ou preconceito. Na sexta-feira (20), é comemorado o Dia da Consciência Negra, feriado na capital paulista e em outras cidades do estado.
A cartilha já está disponível em todas as unidades da Defensoria Pública no estado e também no site, para que todos possam acessar. É a primeira vez que o material é lançado.
 “O número de queixas em relação a crimes raciais é muito pequeno. Então a defensoria resolveu lançar essa cartilha para esclarecer a população acerca de seus direitos, para que ela possa procurar os órgãos competentes”, explicou a defensora pública Maíra Coraci Diniz.
Caso a pessoa seja discriminada, ela pode ingressar com ação de reparação de danos morais. “Se a pessoa for vítima de discriminação racial, ela tem que se encaminhar para uma delegacia de polícia para realizar um boletim de ocorrência. É importante que ela lembre detalhadamente do fato, tenha testemunhas. E depois ir até uma unidade da defensoria ou procurar um advogado para entrar com ação.”

TEXTO 2

Em toda entrevista com negro perguntam sobre discriminação

A entrevista ou reportagem, pode ser sobre um novo gene descoberto na maçã, ou sobre o meliante que assaltou a velhinha de 80 anos, mas se o entrevistado for negro, batata, uma pergunta que não pode faltar é “E preconceito? Você já sofreu?”, já é até clichê em reportagens com negros.
Incrível o tanto de repórteres idiotas que tem nessa TV, pra quê perguntar se o cara já sofreu preconceito ? E por que na última entrevista com aquela loira você não perguntou se ela ja havia sentido discriminação racial pela sua falta de melanina? hã?
Todos nós devemos prestar mais atenção, ser negro é muito assimilado com “cansado de sofrer preconceito”, que nada, esqueçam isso…. Perguntar pra quê? O que ocorre todos já sabem, logo, saber duas vezes não adiciona nada em nossas vidas. Negro não é coitadinho, só porque tem alguns desmiolados que acham que cor define índole, o povo acha que todo negro é um coitado, ‘apáporra’.
De tanto as pessoas ficarem lembrando essa do preconceito, muitas pessoas negras e morenas mesmo, tem complexo, e isso é muito ruim. Mas não são culpados pelo complexo, é só uma resposta a tudo que já passaram e vivenciaram na vida.

TEXTO 3

Uma vida sem preconceito
Professora que combate o racismo na escola recebe homenagem do Ministério da Educação.
Orgulho do cabelo, da pele, das raízes. Sentimento que hoje Nádia não deixa passar em branco. Mas nem sempre foi assim.
“Era chamada de cabelo de bombril, testa de amolar facão, cabelo de retrós. Na primeira oportunidade que eu tive, alisei meu cabelo. Domei, como dizem. A partir disso, fiquei usando química a vida inteira”, lembra a professora Nádia Maria Rodrigues.
Infância e adolescência com preconceito por parte da família, dos amigos, dela mesma. Até concluir que o alisamento era uma imposição da sociedade. Foi a libertação. “Enegrecer foi a coisa mais fantástica que me ocorreu”, afirma Nádia.
Professora de uma turma de traços diversificados, Nádia quis evitar que alunos sofressem do mesmo mal. O assunto foi discutido com livros sobre o respeito às diferenças, sobre artesanato, culinária e dança.
 Tudo naturalmente.
 “A gente falava mesmo na aula de história. Mas no dia de fazer matemática e geografia a gente também falava dos negros, dos africanos”, conta a estudante Ângela de Moura, 9 anos.
Com o sucesso entre os alunos, o projeto contra o preconceito acabou sofrendo... Preconceito. “Estava escrito ‘negra burra’, bem grande, no meio do quadro, e eu apaguei. Depois disso, começou a sumir material produzido pelos alunos na sala”, revela a professora.
Apesar da resistência, as aulas continuaram provocando reflexões e mudanças. Alunos que até então tinham, sem saber, algum tipo de preconceito adotaram uma nova postura dentro e fora da sala de aula.
Agora, as alunas têm bonecas de cores diferentes. Brincadeira de uma "casinha" ideal. “Eu brinco de casinha, brinco que elas são amigas. É um mundo sem preconceito”, diz a estudante Pâmela de França, 8 anos.

Larissa passou a respeitar mais a irmã Laís, fruto do segundo casamento da mãe. “Antes, eu ficava xingando ela, falando que era neguinha e hoje eu já converso com ela, pra ela aceitar a cor dela”, conta Larissa Aires, 9 anos.
“A Larissa mudou a família e muda a rua inteira, porque ela dá aula sobre a cultura negra, sobre a gente respeitar as pessoas”, destaca a avó da garota, Rosângela Aires.
Tudo isso rendeu a Nádia um prêmio do Ministério da Educação. Prêmio dedicado ao pai, negro. “O prêmio maior foi tirar essas crianças das práticas de racismo. Elas começaram a tocar as famílias delas, puxar essa discussão por lá, cobrar postura dos pais. Isso, sim, foi o maior prêmio”, afirma Nádia.
Eis os grandes troféus: crianças com auto-estima renovada, que se assumem e são mais cidadãs. “Não é cabelo ruim. É cabelo crespo. Ninguém é maior do que ninguém, ninguém está abaixo de ninguém”, ressalta Augusto Silva, 8 anos.
“Antes eu tinha vergonha, porque todo mundo olhava pra mim com uma cara estranha. Mas agora eu tenho muito orgulho”, João Pedro Pereira, 9 anos. “Aumentou o meu orgulho. Gostei de mim mesmo do jeito que eu sou: da minha cor”, declara Luís Gustavo Santos, 9 anos.

TEXTO 4

22 de março de 2008
Reportagem sobre Preconceito
Autor(a): Tânia Regina Pinto e Leonardo Mourão(Nova Escola)
O silêncio vai acabar
Pouco se fala disso, mas também na escola os negros sofrem com o preconceito. Essa situação pode mudar.
Numa manhã de junho, há um ano, a pedagoga Eliane Cavalleiro instalou-se na saída de uma escola de Educação Infantil, em São Paulo, observando como uma professora se despedia de seus 22 alunos. Entre os doze alunos brancos, dez ganharam um beijinho; dos dez negros, só três mereceram o mesmo afeto. Os brancos foram três vezes mais beijados do que os negros! Mas não poderia ser apenas o comportamento isolado de uma professora preconceituosa? E, afinal, qual a importância de beijar ou não o aluno na saída da aula?
Depois de observar por oito meses como alunos e educadores lidavam com as diferenças raciais na escola — quando colheu material para sua tese de mestrado — Eliane tem respostas para tais questões. Primeiro, o episódio descrito no início não é um caso isolado. De maneira geral, crianças brancas e negras não recebem o mesmo tratamento na escola. Muitos professores reservam uma cota maior de contato físico e palavras carinhosas aos alunos brancos.

TEXTO 5

PRECONCEITO SEM PRECONCEITO
Cores, crenças, jeito de vestir, gostos musicais, faixa etária, olhos azuis, verdes e castanhos, condições socioeconômicas... Nossas diferenças estão em vários aspectos: em nossas idéias, na pele, nos traços, nas impressões digitais. Fascinante, não é mesmo? Pena que nem sempre encaramos assim.
Para alguns, a pele escura pode inspirar nojo. Para outros, quem tem pouco dinheiro ou usa roupas velhas e sujas é “malaco” e até ganha status de criminoso, mesmo que nunca tenha chegado perto de uma arma ou tido a intenção de roubar ou machucar alguém. E há quem pense que mulher só serve para “ficar com a barriga no fogão” ou que loira “não tem cérebro”.
Esses são apenas alguns exemplos da capacidade que o ser humano tem de classificar e discriminar o... ser humano! Isso mesmo, discriminar seu semelhante, só porque ele não é tão semelhante assim. E o pior sempre acontece quando alguém resolve tomar decisões com base nesses pensamentos: desde pequenas brigas até grandes guerras e massacres.
Opa! Você por acaso se identificou com algum desses comentários? Calma, isso não faz de você um monstro. Como veremos nesta reportagem, é normal ter preconceitos, sentir um certo estranhamento ou até mesmo aversão por algo ou alguém diferente de você. Agora, o que separa um cara gente boa de alguém realmente preconceituoso são as atitudes. E, sim, sabemos que é muito difícil esquecer nossos preconceitos ao tomar qualquer atitude. Só que isso é possível, e necessário.
Mas afinal, o que é o preconceito? Por que é que todos nós temos, mas não conseguimos admitir? Como lidar com esse sentimento da melhor forma possível? Será possível eliminar completamente o preconceito? Tentando ajudar a responder a essas questões que intrigam alunos, pais e professores, a equipe do portal conversou com especialistas e pessoas que já foram tanto vítimas como agentes de atitudes preconceituosas.
Veja, a seguir, o que conseguimos descobrir.

TEXTO 6

Apenas um negro passa em medicina na Fuvest 2008

Ao todo, 37 cursos não têm nenhum ingressante negro na primeira chamada.
Os convocados negros somam 1,8% dos calouros.
Simone HarnikDo G1, em São Paulo

Somente um estudante negro foi convocado em primeira chamada para cursar medicina em 2008 pela Fuvest. A Universidade de São Paulo (USP) em São Paulo e em Ribeirão Preto e a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa ofereceram, ao todo, 375 vagas. A informação é do questionário socioeconômico do vestibular 2008, respondido por 369 ingressantes no curso.

O número de indígenas foi maior que o de autodeclarados negros: dois contra um. A Fuvest, fundação que realiza o processo seletivo, divide os estudantes em cinco categorias. Além dos negros e índios, 28 estudantes se declararam pardos, 59, amarelos e a grande maioria, 279, brancos.
Em medicina, a proporção de negros em 2008 não é muito diferente dos últimos vestibulares. O vestibular 2007 foi o que teve mais negros, entraram quatro. Nos dois anos anteriores, somente um estudante se declarou negro. E há cinco anos, nenhum se declarou negro.

TEXTO 7

Sistema de cotas para negros amplia debate sobre racismo
O sistema de cotas para negros nas universidades, adotado pela primeira vez na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), em 2001, ainda gera polêmica e divide opiniões. Há vários argumentos contra e a favor, todos bastante sensatos. Nem mesmo o governo brasileiro parece saber que posição tomar e demonstra ambigüidade sobre a questão. Tanta incerteza, no entanto, tem um ponto positivo: a reserva de vagas gera um debate importante sobre o racismo no Brasil, um país onde o preconceito existe, ainda que de forma velada.